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As Ilhas
Flores| Corvo |Terceira|S. Jorge|Graciosa|Pico|Faial|S. Maria|S. Miguel
A ilha de Santa Maria situa-se no extremo sudeste do arquipélago dos Açores, fazendo parte do seu Grupo Oriental. Tem uma superfície de 97,4 km2 e uma população residente (gentílico: marienses) de 5 578 habitantes (2001), distribuída pelas 5 freguesias que compõem o concelho de Vila do Porto, o único da ilha. O principal pilar de sustentação da economia da ilha é a actividade aeronáutica, com o Aeroporto Internacional de Santa Maria e o Centro de Controlo Aéreo do Atlântico, o qual administra a FIR Oceânica de Santa Maria, uma das maiores e mais importantes regiões de informação de voo do Mundo. Terá sido a primeira ilha dos Açores a ser avistada, por volta de 1427, pelo navegador português Diogo de Silves. Cristóvão Colombo escalou a ilha no regresso da sua primeira viagem à América.
Localizada no extremo sueste do arquipélago dos Açores, a cerca de 100 km a sul da ilha de São Miguel e a cerca de 600 km da ilha das Flores, Santa Maria é a ilha mais antiga do arquipélago, com formações que ultrapassam os 8,12 milhões de anos de idade[1], sendo por isso a de vulcanismo mais remoto. Esta idade comparativamente avançada confere maturidade ao relevo e explica a presença de extensas formações de origem sedimentar onde se podem encontrar fósseis marinhos. É também a única dos Açores que não apresenta actividade vulcânica recente, embora esteja sujeita a sismicidade relativamente elevada dada a sua proximidade ao troço final da Falha Glória (zona de fractura Açores-Gibraltar).
Com apenas 97,4 km2 de área emersa, forma grosseiramente oval, com um comprimento máximo no sentido noroeste-sudeste de 16,8 km, a ilha está dividida em duas regiões com aspecto geomorfológico nitidamente contrastante:
A geologia da ilha caracteriza-se pela presença de um substrato basáltico deformado por fracturas que seguem uma orientação preferencial NW-SW, no qual está intercalada uma densa rede filoniana com a mesma orientação. Intercalados nos basaltos encontram-se algumas formações de carácter traquibasáltico. Sobre estes materiais encontram-se extensos depósitos fossilíferos, incrustados em depósitos calcários de origem marinha, formado num período de transgressão em que o oceano se encontraria a cerca de 40 m acima do actual nível médio do mar. A presença destes depósitos, únicos nos Açores, originou na ilha uma indústria de extracção de calcário e fabrico de cal, que atingiu o seu auge no princípio do século XX, encontrando há muito extinta.
Os depósitos fossilíferos de Santa Maria despertaram grande interesse da comunidade científica, levando a numerosos estudos paleontológicos, desenvolvidos a partir do terceiro quartel do século XIX. Publicaram estudos sobre os fósseis da ilha, entre outros, Georg Hartung (1860)[2], Reiss (1862)[3], Bronn (1860), Mayer (1864), Friedlander (1929) e José Agostinho (1937). A importância científica dos depósitos fossilíferos levou à criação, pelo Decreto Legislativo Regional n.º 5/2005/A, de 13 de Maio, da Reserva Natural Regional do Figueiral e Prainha, incluindo o Monumento Natural da Pedreira do Campo, uma zona de particular interesse geológico.
A antiguidade da ilha e a fama que a existência de calcários lhe confere, levou à crença, errada, de que a ilha não seria vulcânica, a que se junta o mito de que nela não ocorreriam sismos (o que é desmentido pelos fortes sismos de Novembro de 1937 e Maio de 1939 e pela recente crise sísmica de Março de 2007).
A região ocidental da ilha está recoberta por um solo argiloso de cor avermelhada, resultante da profunda alteração de piroclastos de idade pliocénica, formados quando o clima da ilha era muito mais quente e húmido do que o actual e o nível médio do mar se situaria cerca de 100 m abaixo do actual[4]. Nas imediações de Vila do Porto, aparecem espessos depósitos de barro vermelho que deram origem a uma importante indústria de olaria, hoje quase desaparecida, e à exportação de bolas de barro para Vila Franca do Campo e Lagoa, constituindo assim a principal matéria prima da olaria tradicional micaelense.
A costa da ilha é em geral escarpada, atingindo os 340 m de altura nas arribas do lugar da Rocha Alta. A ilha tem um conjunto de pontas muito pronunciadas (Ponta do Marvão, Ponta do Castelo e Ponta do Norte), demarcando algumas baías abrigadas onde aparecem praias de areias brancas (Baía de São Lourenço e Praia Formosa). Ao longo das costas de Santa Maria existem alguns ilhéus e rochedos de dimensão apreciável, com destaque para o ilhéu de São Lourenço, o ilhéu da Vila e o ilhéu das Lagoínhas.
O povoamento é disperso, com as casas espalhadas por toda a ilha, formando pequenos núcleos ao longo das zonas mais ricas em água da parte ocidental e anichadas nos vales da parte oriental. O maior povoado é Vila do Porto, à qual está ligado o complexo habitacional e cívico que nasceu em torno do aeroporto, restos da estrutura urbana da antiga base aérea americana dos tempos da Segunda Guerra Mundial. A habitação tradicional é em alvenaria de pedra, com rebocos pintados de branco, barras coloridas em torno das portas e janelas e grandes chaminés cilíndricas, fazendo lembrar as casas alentejanas e algarvias.
O relevo e a riqueza de contrastes entre a terra e o mar, a que se associa o equilíbrio arquitectónico dos povoados, conferem grande beleza à paisagem rural mariense.
O território da ilha constitui um único concelho, o de Vila do Porto, com uma população residente de 5 578 habitantes (2001), dividido em cinco freguesias:
Dada a sua baixa altitude, a ilha tem um clima oceânico menos acentuado do que as restantes ilhas açorianas, ameno e com grande insolação, aproximando-se das características do clima mediterrânico, com um verão seco e quente, bem marcado, e um Inverno suave e pouco chuvoso. As temperaturas médias do ar oscilam entre os 14 º C e os 22 º C.
Não se conhece a data de descobrimento da ilha pelos navegadores portugueses da época dos Descobrimentos, embora a tradição, sem qualquer base documental e numa óbvia tentativa de explicar o nome da ilha atribuído a sua origem à data da festa católica homónima, afirme que o reconhecimento aconteceu no dia de Santa Maria, em 15 de Agosto de 1431, hoje o feriado municipal da ilha. Também quanto ao descobridor as incertezas são muitas, embora seja apontado Gonçalo Velho Cabral, que viria a ser o primeiro capitão do donatário da ilha (e do arquipélago). Neste contexto de grande incerteza, a única afirmação segura é que a ilha terá sido das primeiras a ser descoberta pelos portugueses e seguramente a primeira a ser povoada, com visitas regulares que se iniciaram na década de 1420.
Os primeiros habitantes da ilha foram portugueses oriundos do Algarve e de outras regiões do sul de Portugal, que se instalaram na costa norte da ilha, junto à baía dos Anjos, povoado que será, a par de Vila do Porto, dos mais antigos da ilha. A patronímica das famílias marienses, a arquitectura e a estrutura do povoamento, embora este ditado pela topografia, parecem confirmar esta tese.
Em 1439 era Santa Maria a primeira ilha a ser povoada, tendo como primeiro governador Gonçalo Velho Cabral. Também é seguro que Vila do Porto foi a primeira vila açoriana a receber foral, o qual data de 1470, tornando-se então no primeiro município dos Açores.
A economia do ilha seguiu os ciclos típicos da evolução da base produtiva açoriana, baseou-se na produção de trigo e pastel até o século XVII, depois evoluindo lentamente para uma agricultura de subsistência assente numa produção cerealífera relativamente pobre, nalguns vinhedos anichados nas zonas mais abrigadas da ilha e, naquilo em que a ilha difere do resto dos Açores, numa importante produção de cal e de olaria, incluindo a exportação de barro para São Miguel e outras ilhas.
A ilha esteve sujeita a frequentes ataques e razias perpetrados pelos piratas da Barbária, com pelo menos um incidente em que boa parte da população foi aprisionada e vendida como escravos no Norte de África. Essa realidade levou ao aparecimento da Confraria dos Escravos da Cadaínha, um confraria destinada a reunir fundos para remir os marienses escravizaddos pelos povos muçumanos, que ainda subsiste e mantém actividades várias.
Um evento importante foi passagem de Cristóvão Colombo pela baía dos Anjos, quando regressava da viajem de descobrimento da América, em 1493. Durante a estadia do navegador nas águas da ilha terá ocorrido um incidente, envolvendo o aprisionamento de alguns tripulantes e complexas negociações que levaram à sua libertação.
Periférica em relação ao arquipélago e em relação às rotas atlânticas da volta do largo, a ilha esteve excluída das rotas comerciais, dedicando-se quase exclusivamente à agricultura, a qual apenas deixou de ser o principal sustentáculo da economia mariense com a chegada dos norte-americanos na fase final da Segunda Guerra Mundial e com a construção por aqueles do aeroporto de Santa Maria.
Com a construção do aeroporto internacional em 1944, o qual assumiu um papel central nas ligações aéreas através do Atlântico, a economia da ilha ficou dependente, quase em absoluto, das actividades a ele ligadas, primeiro à sua construção, para a qual se deslocaram algumas centenas de trabalhadores da vizinha ilha de São Miguel e de outras ilhas dos Açores, e de pois da prestação de serviços ao seu funcionamento e ao centro de controlo do tráfego aéreo no nordeste do Atlântico nordeste, que entretanto se instalou na ilha.
O aeroporto, operado como uma base aérea logística dos EUA até ao final da Segunda Guerra Mundial foi aberto, em 1946 à aviação civil internacional passando então para a soberania portuguesa. Serviu de pista de escala técnica de voos intercontinentais e é sede do centro de operações de controlo de tráfego aéreo na FIR Oceânica de Santa Maria. O aeroporto foi, durante muitas décadas, a única porta de saída por via aérea dos Açores, papel que deixou de desempenhas a partir da década de 1980, com o aparecimento de diversos aeroportos internacionais no arquipélago.
Com a evolução tecnológica que se verificou na aviação civil, permitindo à generalidade das aeronaves cruzar o Atlântico sem escalas, o aeroporto de Santa Maria foi perdendo importância. Outro factor contributivo para este declínio é a oferta noutras ilhas de alternativas aeroportuárias melhor equipadas e com melhor logística.
A recente decisão da ESA, Agência Espacial Europeia, de instalar uma estação de rastreio móvel de satélites na ilha veio reacender o debate sobre o futuro da ilha , hoje dependente quase exclusivamente das actividades aeronáuticas.
Ao contrário da generalidade das outras ilhas, a criação de gado e a produção de lacticínios nunca chegou a dominou a economia local. Ainda assim, a agro-pecuária constitui a base da economia rural do concelho, onde a área agrícola ocupa 47,6% do território. A actividade é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras e os prados e pastagens permanentes. A ilha apresenta uma baixa densidade florestal, com apenas 19 ha de área florestada de produção, salientando-se as plantações de criptoméria nas faldas do Pico Alto. As extensas zonas de matos são dominadas pelo incenso, zimbros e loureiros.
Quanto ao sector secundário, é de referir a existência de algumas serrações de madeiras, fabrico de blocos e de telha artesanal.
No sector terciário, essencialmente dedicado ao turismo, as principais actividades e atracções turísticas consistem na prática de desportos náuticos, nomeadamente windsurf, vela, esqui aquático, surf, pesca desportiva e mergulho. Também é possível fazer praia, passeios e caça ao coelho. Existe ainda uma estância de veraneio com alguma expressão na baía de São Lourenço.
Santa Maria é agora uma das ilhas mais visitadas dos Açores, com particular incidência no Verão, altura em que a Praia Formosa e Praia de São Lourenço são dois apetecíveis destinos balneares. Para além da qualidade das praias, próprias para a prática de desportos náuticos, muito contribui a realização do festival Maré de Agosto e das festas de 15 de Agosto.
Além disso, são realizados impérios em honra do Espírito Santo, onde qualquer pessoa pode saborear estas sopas, tendo apenas de esperar pela sua vez. São sopas cozinhadas segundo antigas tradições.
A gastronomia da ilha é rica, destacando-se, pela sua originalidade, as confecções feitas com os nabos endémicos da ilha, e os bolos secos (cavacas e orelhas).
A pesca também é factor importante na vida da ilha, embora claramente secundário em relação à actividade aeronáutica, ao turismo e à agro-pecuária.
Como nas restantes ilhas dos Açores, a actividade cultural na ilha é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam à fase inicial do povoamento do arquipélago e ao papel relevante que os franciscanos espirituais e a Ordem de Cristo tiveram na vida religiosa açoriana. O ritual inclui a coroação de uma ou mais crianças, que usa o ceptro e uma coroa de prata, símbolos do Espírito Santo, culminando com uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa, o domingo de Pentecostes. Para além desta festa, que é celebrada praticamente em todas as ilhas, decorre a 15 de Agosto, feriado da ilha, a festa da Nossa Senhora da Assunção.
No último fim-de-semana de Agosto, realiza-se na Praia Formosa o festival Maré de Agosto, um dos festivais de música mais concorridos do arquipélago.
Ainda no aspecto cultural, é de referir o Museu Etnográfico de Santo Espírito, onde também se podem ver utensílios, potes, talha e outros objectos confeccionados com o barro vermelho da ilha.
A nível de artesanato destacam-se a louça em barro vermelho e outras peças de olaria, cuja tradição se procura recuperar, as camisolas de lã feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objectos em ferro e madeira.
Existe uma lenda associada à Ermida de Nossa Senhora do Pilar, ou Senhora dos Milagres. O artista que concebeu o retábulo lavrado com colunas salomónicas de pedra local terá executado uma obra de tal perfeição que foi chamado para junto de Nossa Senhora, morrendo no dia em que concluiu o trabalho.
Do património arquitectónico existente no concelho destaca-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção (séculos XV-XVI), padroeira da vila. A igreja sofreu profundas alterações arquitectónicas no século XVIII, apenas restando da estrutura inicial uma porta lateral gótica e um tecto manuelino da Capela de Santa Catarina. No seu interior existem colunas em pedra vermelha da ilha, que suportam as três naves da igreja. Possui também imagens em talha, de origem flamenga, que datam do século XV.
Ainda de cariz religioso, é de referir a Igreja da Misericórdia (anterior a 1536), o Convento de Santo António, a Igreja de Nossa Senhora da Purificação, com ornamentos em lava preta, e a Ermida dos Anjos (século XVI), local onde a tripulação de Colombo rezou uma missa como cumprimento de uma promessa.
Outros pontos de interesse são as ruínas da casa do capitão João Soares de Sousa (século XVI), com as suas janelas góticas, os solares antigos, com portadas góticas, janelas manuelinas e telhados de quatro águas, e os paços do concelho, situados no antigo Convento de São Francisco de Vila do Porto, um edifício do século XVII, que alberga actualmente a Câmara Municipal e outros organismos públicos, destacando-se o claustro com arabesco e um jardim interior.
O Forte de São Brás, sobranceiro ao porto da Vila, constitui um exemplo de arquitectura militar, construído durante o domínio filipino para proteger a população dos frequentes ataques de piratas. No seu interior encontra-se a Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Rocha.
A praia de São Lourenço, com as suas piscinas naturais, o Pico Alto, de onde se tem uma visão privilegiada de Santa Maria, e a Praia Formosa, com as suas magníficas areias, águas mornas e o Farol da Maia, são alguns dos pontos de interesse da ilha. O sector primário é dominado pela área da agro-pecuária, a qual constitui a base da economia rural de Santa Maria, embora não tenha a pujança e a importância económica que atinge noutras ilhas.
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